terça-feira, 20 de agosto de 2013

não ando só. eu vivo cercada de coisas que invento. gosto de pensar no que seria se fosse assim, ou pra que é que serve isso, ou de onde vem. às vezes, também, pensar, absolutamente, não me ocorre. eu somente sou. eu fui por um grande trecho da minha breve existência. fui me saíndo, até virar folha seca, e encostada numa pedra, apodreci no verão. havia esquecido o velho hábito de escutar as palavras que vinham, e aceitar simplesmente, como um presente. deixei de ser natural. mas o sopro de Deus me pôs de volta à correnteza. porque não há natureza sem Deus, e não há natureza sem tentativa. e tudo que é vivo não é só o resultado de uma tentativa que deu certo ou que ainda não deu errado, mas que, depois de tudo, ainda perseverou. eu divaguei tantas vezes que me perdi no caminho. mas esse trecho em que agora me encontro, tem muito mais clareza e fluidez. não ando só porque não ando mais. eu me sinto como se estivesse flutuando. um dia eu sei que vou virar mar.
Eu queria evoluir pra planta:
Viver banhando ao sol
Só me assustar com brisa
Criar passarinhos

Queria ser passarinho:
Me jogar de abismos invisíveis
Enganar o vento
Espalhar sementes por aí

Passarinhos são como Deuses

Uma vez nasceu um pé de pimenta no jardim
Ninguém sabe de onde veio
Até que um dia se foi
Só podia ser bênção